O lado B.

- Olá, eu sou o teu lado B.
- Como assim? Assusta-se a virtuosa.
- Sou sacana, sacou? Ih! Rimou! Ri-se debochado o lado B da virtuosa.
- Co... Como apareceste? Não te chamei.
- Claro que não, vives a me esconder.
- Não mintas! Não te conheço!
- Qual é, chega de hipocrisia, tua hora chegou madame.
- Saia já desta casa! Fora! Grita a virtuosa, olhar desvairado, trêmula, a saliva espumando em fúria nos cantos da boca retorcida.
- Sinto muito, meu amor, se sair terá que ir junto, pois que eu sou eu.
- Sei disto, mas que eu tenho a ver com isto?
- Ok, foi mal. Vamos melhorar nossa comunicação. Eu sou tu.
- Ah! Mas não é mesmo, diz ela mostrando com o dedo indicador imagens de santos vagando pela casa antiga.
Subitamente, o lado B fica sério.
- Certo, acho que não começamos bem. Veja bem, ih, rimou, ri-se novamente. Desculpe, é que eu sou assim, meio irreverente, entende?
- Não, não entendo, responde com raiva a virtuosa.
- Ok, respira fundo o lado B, resolvendo abordar o assunto de outra maneira. Lembras aqueles pensamentos pecaminosos que tão logo chegavam relegavas ao esquecimento por medo?
- Lembro, responde ela já mais calma e muito envergonhada.
- Lembras de quando gostavas de ouvir as safadezas dos outros e sentias secreto prazer?
- Lembro, repete triste e mais envergonhada ainda.
- Pois é, continua o lado B, subitamente triste, era eu tentando falar contigo. Éramos nós, pois que somos um.
- Se eu tivesse te ouvido, diz ela.
- Se tivéssemos nos entendido antes, diz ele.
Choram juntos e definitivamente unidos.
Em paz.

Jeanne Geyer

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