A ferida essencial.

Sentiu o abraço gelado da solidão. 
Os lençóis brancos tingiram-se com o sangue da ferida aberta.
Era a ferida essencial, o alicerce medonho sobre o qual jaziam todos os seus sentimentos, emoções e vivências.
Ali ficaria para sempre, o alicerce que não pode ser removido. Presa ficava a alma naquela ferida. Tanto mais sangrava quanto mais tentava arrancá-la de sua vida.
Acostumou. E por acostumar libertou-se.
As pessoas temem o que desconhecem. Volitando entre luzes e sombras, já nada temia.
Livre tornou-se.
Estranha liberdade.
Concebida fora no medo e na solidão. De lágrimas e risos alimentara-se.
Era a liberdade dos que já nada temem porque muito lhes fora tirado.

Os excluídos, os desgraçados.

Jeanne Geyer

Comentários

✿ chica disse…
Intenso, profundo e lindo! bjs, chica
CÉU disse…
Um texto mto bem escrito e mto realista. Parabéns, Jeanne!

De facto, quem já quase tudo perdeu, se acostuma e se liberta, totalmente. Não sei se serão felizes ou não, mas, pelo menos, têm o céu como teto.

Beijos e boa semana.

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