O filho imperfeito.

Ela sempre catou feijão com cuidado. Com a atenção nos grãos, com dedos ágeis separava: esse vai para panela, esse não, esse vai, esse não. 
Assim, em pouco tempo, tinha uma panela com belos e perfeitos grãos selecionados, e a um canto, o resto. 
Os que sobravam, os imperfeitos, 
eram jogados no lixo e tudo estaria pronto. Tudo estaria garantido.
Quando nasceu o filho imperfeito, absurdamente lembrou-se dos feijões jogados no lixo. Esqueceu que a vida não oferece garantias.
Enfrentou a dura realidade de uma sociedade que trata pessoas como grãos de feijão.

Jeanne Geyer

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