Do céu ao inferno

Estudo feito no Brasil confirma que pacientes com transtorno bipolar, mesmo em tratamento e sem crises, apresentam dificuldades cognitivas.
Por: Katy Mary de Farias

‘Campo de trigo com corvos’, tela de 1890 do pintor holandês Vincent van Gogh (1853-1890), que era portador de transtorno bipolar. A obra revela a alternância no estado de espírito do pintor em seus últimos anos de vida. (foto: Museu Van Gogh, Amsterdam)

Pacientes com transtorno bipolar, mesmo quando vivem um período em que não há sintomas de alteração de humor e as ações cotidianas são realizadas sem conflitos (estado eutímico), tendem a apresentar déficit em suas atividades executivas.
Essa tendência, já apontada por estudos internacionais, acaba de ser confirmada pela psicóloga Lilian Lopes Pereira em sua dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul.
“O tratamento, que inclui o uso de medicamentos e psicoterapia, é essencial para evitar crises e permitir que o paciente enfrente o dia a dia sem grandes conflitos”, diz Pereira. Mas, segundo a psicóloga, ele não evita que determinadas funções sejam afetadas.
O transtorno bipolar é uma causa bastante comum de incapacidade laboral entre adultos.
O transtorno bipolar é uma doença mental crônica que se caracteriza por oscilações recorrentes de humor. Como apontam inúmeros trabalhos, a enfermidade é uma causa bastante comum de incapacidade laboral entre adultos.
As funções executivas têm relação com memória, cognição, atenção, organização, controle de impulsos, flexibilidade mental, tomada de decisões e outros fatores emocionais e de aprendizagem. “Se essas funções permanecem comprometidas, a vida social, familiar e ocupacional dos portadores da doença é afetada”, afirma Pereira.
Segundo a pesquisadora, não há consenso sobre as causas da persistência de déficit nas funções executivas de portadores de transtorno bipolar que aderem ao tratamento medicamentoso e cujo quadro emocional parece estável.

Para tentar encontrar uma resposta para a questão, deve-se, segundo ela, levar em conta diferentes fatores envolvidos no transtorno, como histórico familiar, medicamentos usados no tratamento e seus efeitos, idade do paciente, tempo de evolução e curso da doença. E, ainda, número de episódios maníacos com psicose (casos mais graves), que implicam internamento em hospitais psiquiátricos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O lado bom da vida.

O sentido da vida.

A arte de ser feliz.