Pecados e remorsos.

- Padre, eu pequei.
- Fale meu filho.
- Sou professor em uma escola de padres, e… Neste ponto, o homem pequeno e insignificante começa a suar abundantemente. Treme. A voz some.
- Continue meu filho...
Ele respira fundo, o ar parece faltar, todavia tem que falar senão será o seu fim. Teme a ira Divina, teme os choros e ranger de dentes que certamente o esperam.
- Padre, eu pequei, repete absurdamente, sem saber direito o que falar. Todo o discurso longamente ensaiado parece esvair-se de sua mente.
Medo.
- Certo, todos temos nossos deslizes, nada tema. Deus é misericordioso, consola o padre.
Se eu retroceder agora enquanto é tempo não haverá misericórdia para mim, pensa ele.
- Padre, tem uma moça muito jovem... Ela... Suspira longamente. Ela... Sabe padre, ela é tão linda parece um broto de rosa. Eu não quero machucá-la.
- Fique longe da tentação, filho.
- Eu sei padre, mas é que ela anda me seduzindo com olhares, me persegue.
- Cabe ao senhor lembrar-se de seus deveres, ela é uma menina.
- Padre, às vezes eu acho que ela tem o demônio no corpo...
- Shhhh! Respeite a casa de Deus, não ouse mais repetir esta palavra ou terei que interromper esta confissão.
- Ok, desculpe, padre, isto não tornará a acontecer.
- Certo, diz o padre já aborrecido e sonolento, continue então.
- As roupas, padre, as roupas destas meninas me deixam louco, saias curtas demais, roupas coladas aos corpos perfeitos...
- Shhhh! Olha a tentação, o senhor não está ajudando.
- Mas padre, sou um pobre mortal.
- Pobres mortais somos todos, nem por isto cabe justificar pensamentos impuros.
- Mas padre, eu sou impuro! Padre, eu pequei em pensamento e estou aqui para não deixar os pensamentos me guiarem. Eu preciso me controlar!
Começa a tremer convulsivamente e a chorar.
O padre já não o ouve mais. Seu pensamento voa em direção ao passado, quando fora professor em escola de meninos.
Lembra de todas as tentações pelas quais passara.
Rapazes belos, alguns ainda imberbes, no frescor de uma juventude sadia e alegre.
Havia um em especial que o atraíra de uma maneira fatal.
Jamais o esquecera. Era o seu segredo, razão de uma úlcera e uma depressão persistente.
O padre sabia o que o esperava.

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Ah, ah, ah, bom humor!

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